Tratamento que sua piscina merece.

O CLORO - HISTÓRIA

O Cloro (do grego Khloros, que significa "Amarelo Verdoso" ) foi descoberto em 1774 pelo sueco Carl Wilhelm Scheele, acreditando que se tratava de um composto contendo oxigênio. Obteve-o a partir da seguinte reação:

MnO2 + 4HCl -> MnCl2 + Cl2 + 2H2O

Os processos anteriores às técnicas de eletrólise se baseavam nesta reação ou na reação direta de HCl com o ar ou oxigênio puro, produzindo água e cloro. Com estas técnicas começava a produção de cloro para alvejamento de roupas e papel, por volta do século XIX.

Em 1810 o químico inglês Humphry Davy demonstrou que se tratava de um elemento químico, e lhe deu o nome de cloro devido à sua coloração amarelo-esverdeada. O cloro foi utilizado na Primeira Guerra Mundial. Foi a primeira vez que se utilizou uma substância como arma química. Alguns cloretos metálicos são empregados como catalizadores como, por exemplo, FeCl2, FeCl3 e AlCl3. Ácido hipocloroso (HClO).

Empregado na depuração de águas e alguns sais como agente alvejante. Ácido cloroso (HClO2). O sal de sódio correspondente (NaClO2), é usado para produzir dióxido de cloro (ClO2), usado como desinfetante. Ácido clórico (HClO3). O clorato de sódio (NaClO3), também pode ser usado para produzir dióxido de cloro, empregado para o branqueamento do papel, assim como para a obtenção de perclorato. Ácido perclórico (HClO4).

É um ácido oxidante empregado na indústria de explosivos. O perclorato de sodio (NaClO4), é usado como oxidante e na indústria têxtil e papeleira.

Benefícios do cloro na água que usamos

A cloração ocorre em qualquer país onde o saneamento é levado a sério. Atuando há mais de um século na desinfecção das águas, o cloro é uma das principais conquistas da saúde pública. O processo de purificação da água através da filtração e cloração foi considerado pelas revistas "Life" e "Veja", (edição especial Milênio) como um dos 100 fatos que mudaram o mundo de 1001 até hoje, e talvez o avanço mais importante do milênio na área de saúde pública. Hoje sabe-se que nos países desenvolvidos esse procedimento é responsável diretamente pelo aumento da expectativa de vida da população em cerca de 50%.

Por ocasião do Dia Mundial da Água, celebrado no dia 22 de março, lemos neste jornal um artigo escrito por um consultor especializado em cooperativismo, com ataques ao cloro e ao uso do produto na desinfecção da água. O artigo, assinado por Daniel Augusto Maddalena, é uma ofensa grave aos sanitaristas, médicos, engenheiros, químicos, autoridades do Ministério da Saúde e todos aqueles que investem e investiram anos de suas vidas estudando o assunto. E um risco potencial à saúde pública se nos calarmos. Se não, vejamos:

Doenças de veiculação hídrica podem matar, e para preveni-las é preciso que a água esteja corretamente tratada. A cólera, por exemplo, erradicada na América do Sul, ressuscitou em 1991 no Peru onde por um período foi interrompida a cloração da água. A epidemia espalhou-se por 19 países, provocou a contaminação de um milhão de pessoas e liquidou cerca de 10 mil vidas humanas. Depois dessa calamidade pública, a água voltou a ser clorada no Peru.

A água também é clorada nos Estados Unidos, onde praticamente não se tem registros de casos de cólera, malária ou outras doenças de veiculação hídrica. O mesmo acontece na Europa e em qualquer parte do planeta onde o saneamento é levado a sério.

Não é à toa que a legislação brasileira sobre potabilidade da água, que procura acompanhar as tendências mundiais de qualidade e saúde, e que contou com o auxílio de especialistas na sua elaboração, exige uma quantidade determinada de cloro na água que sai das torneiras. É obrigatório que cada litro de água contenha no mínimo 0,2 mg de cloro. Este residual é necessário para eliminar qualquer contaminação por microorganismos patogênicos (aqueles que causam doenças) que ocorra na rede de distribuição antes de chegar à torneira do consumidor. Em todo o mundo é obrigatório uma quantidade residual de cloro ou outro desinfetante na água.

Quando o cloro ou qualquer outro desinfetante age na água, são gerados subprodutos. Alguns desses subprodutos podem ser tóxicos se em concentração elevada. Os teores-limite, previstos em legislação, baseiam-se em estudos científicos realizados no mundo inteiro. Os subprodutos gerados pela desinfecção por cloro são estudados há décadas e sabemos o suficiente sobre eles para determinar com segurança quais as quantidades aceitáveis e a partir de quanto eles podem se tornar prejudiciais à saúde. O mesmo não se pode dizer dos subprodutos gerados por sistemas alternativos de desinfecção, como o ozônio, por exemplo.

Um falso exemplo citado pelo especialista em cooperativismo é sobre a questão das piscinas. Diz ele que olhos ardem devido à presença de cloro nas piscinas. Não é verdade. Os olhos ardem devido ao pH fora do especificado. Diz também o cooperado que o cheiro característico em algumas piscinas é do cloro. Errado mais uma vez. O odor é das cloraminas, substância resultante da reação dos resíduos orgânicos ou inorgânicos com o cloro da água tratada de forma incorreta. Para solucionar o problema, basta uma superdosagem de cloro. Nesse processo, no entanto, é exigida a interdição da piscina durante o período de tratamento.

O artigo infeliz fala em nanotecnologia no tratamento de água. E, obviamente, não explica. Nanotecnologia é um processo mecânico de filtragem que retém partículas maiores que 1 nanômetro, ou a trilionésima parte de um metro, e que não dispensa o uso de um desinfetante residual. Pode-se usar a nanotecnologia para filtrar a água na estação de tratamento a um custo elevadíssimo, mas depois que a água entra nas tubulações para ser distribuída não há "nanofiltragem", a não ser que em cada torneira fosse instalado um "nanofiltro".

Cloro é obtido do sal marinho ou de mina, elemento abundante na natureza e essencial à saúde humana. É utilizado em hospitais para desinfecções das instalações, em entrepostos alimentícios para desinfecção dos alimentos, em residências e indústrias para desinfecção de ambientes e em algumas centenas de produtos que contribuem para a qualidade de vida humana. 85% dos medicamentos têm cloro na sua fórmula ou no seu processo produtivo. Visite o site www.abiclor.com.br para informações adicionais.

Martim Afonso Penna - Diretor-executivo da Associação Brasileira da indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor)
Fonte: Gazeta Mercantil 05/04/06